“Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2,12)
Caríssimos irmãos e irmãs,
O Natal chega sempre como um sopro de esperança nova. Não celebramos apenas um fato do passado, mas uma presença viva: Deus decide fazer morada entre nós, assumir nossa história, caminhar conosco. Ele escolhe ser Deus-conosco, para sempre! E isso diz muito sobre o valor da vida humana: se Deus quis tornar-se um de nós, então a vida é, de fato, extraordinária.
O mistério do Natal ultrapassa toda lógica de poder. A luz não surge nos centros de poder. Começa em Nazaré, brilha em Belém e alcança o mundo inteiro. Deus quis nascer de uma mulher, Maria, e ser cuidado por um sonhador, José. Tudo começa na fragilidade: um Menino envolto em faixas, deitado numa manjedoura. Eis o coração do Natal: Deus escolhe transformar o mundo não por decretos, mas pela pequenez; não pela força, mas pela ternura. Os primeiros a perceber são os pastores, gente simples. Deus continua se revelando especialmente nas periferias da história e da vida, onde menos se espera. É um convite claro à defesa da vida, sobretudo quando ela se encontra ameaçada, esquecida às margens ou marcada por feridas.
Deus acolhe este mundo, mesmo quando ele se mostra duro, violento e contraditório. Prefere habitar conosco, apesar de nossas limitações, porque acredita na possibilidade de redenção. Foi esse mesmo impulso que trouxe os missionários claretianos ao Brasil: inflamar corações com o fogo do amor divino, do amor encarnado, do divino feito humanidade, inspirados por Santo Antônio Maria Claret e confiantes na proteção do Coração de Maria.
Essa missão continua viva hoje. Por isso, minha profunda gratidão aos missionários claretianos e a todos os que colaboram nas paróquias, nas instituições educativas e de comunicação social, nos projetos sociais e de cuidado da vida na sua integralidade e ajudam a manter aceso o sonho de Deus para a humanidade através do carisma claretiano.
O Natal é também um convite a escrutinar o Coração de Maria, que “guardava e meditava todas essas coisas em seu coração”. Ela acolhe o mistério, medita, recria. É a imagem de um coração aberto a Deus, capaz de transformar a experiência humana em lugar de encontro com o divino. Com alegria, anuncio que, em 2026, celebraremos o Ano Cordimariano em nossa Província, no marco dos 80 anos da Consagração do Brasil ao Coração de Maria. Que seja um tempo de contemplação e aprofundamento da espiritualidade cordimariana em nossa vida.
Que este Natal reacenda em nós a chama da Encarnação, da Palavra feita carne, de Deus que caminha conosco. Sejamos também portadores dessa boa notícia: Deus é eternamente um de nós para que, pela graça, participemos da sua vida divina na eternidade!
Feliz e santo Natal!
Pe. Eguione Nogueira Ricardo, CMF
Superior Provincial

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