PE. PLATINI, CMF É ORDENADO PRESBÍTERO EM BOCA DA MATA

ORDENAÇÃO

A Paróquia Santa Rita, em Boca da Mata (AL), acolheu, em clima de fé e comunhão, a celebração da Ordenação Presbiteral do diácono Platini, CMF, presidida por Dom Beto Breis, OFM, Arcebispo de Maceió. Estiveram presentes missionários claretianos, padres da Diocese de Penedo, seminaristas, religiosos e numerosos fiéis de Boca da Mata e de diversas localidades do país.

Após a Liturgia da Palavra, o candidato foi apresentado ao Bispo Ordenante pelo Superior Provincial, Pe. Eguione Ricardo, CMF, sendo interrogado e confirmando publicamente o seu propósito de exercer o ministério presbiteral com fidelidade à Igreja.

Na homilia, Dom Beto desenvolveu uma profunda reflexão sobre o sentido do sacerdócio como participação no amor de Cristo. Destacou que amar não é algo superficial, mas exige saída de si: “quem ama se desloca, vai para o outro, se coloca no lugar do outro”. Recordou que Deus se revela na lógica da humildade — em Belém, na vida escondida de Nazaré, na Cruz e na Eucaristia — mostrando que o verdadeiro amor não se impõe, mas se doa: Deus “não faz alarde, mas se faz presente”.

Dirigindo-se ao ordenando, insistiu que a missão nasce da intimidade com Deus: “rezar é a primeira tarefa do sacerdote”, pois é na amizade com o Senhor que se encontra força para a missão. Retomando o diálogo de Jesus com Pedro, destacou: “Jesus não perguntou se Pedro era capaz, mas se ele o amava”, indicando que o essencial do ministério é o amor. Também advertiu sobre o risco de buscar prestígio: o sacerdote não deve “subir”, mas descer, vivendo na humildade e no serviço. E concluiu com uma exortação central: “celebra a Eucaristia, mas faz da tua vida uma Eucaristia”, lembrando que o padre não oferece algo, mas oferece a si mesmo.

Após a homilia, toda a assembleia participou da Ladainha de Todos os Santos, invocando a intercessão da Igreja celeste. Em seguida, ocorreu a imposição das mãos e a oração consecratória, realizadas pelo Arcebispo e pelos sacerdotes presentes, sinal da sucessão apostólica e da comunhão do presbitério.

O neossacerdote foi então revestido com as vestes sacerdotais e, já paramentado, recebeu a unção das mãos com o óleo do Crisma, gesto que consagra suas mãos para o serviço do altar e do povo de Deus. Na sequência, recebeu a entrega das oferendas do pão e do vinho, apresentadas pelo povo de Deus, indicando sua missão de presidir a Eucaristia e oferecer a própria vida em favor da Igreja.

Em sua fala, o Superior Provincial, Pe. Eguione Ricardo, CMF, aprofundou o sentido do ministério presbiteral à luz do lema escolhido pelo ordenado. Recordou que o sacerdote deve sempre ter consciência de sua humanidade: “nós não ocupamos o lugar de Cristo, não o substituímos”, sendo apenas mediadores que conduzem ao Senhor. Destacou ainda que o ministério não é exercício de poder, mas de serviço: “o nosso ministério não é para dominar, mas para servir e reerguer aqueles que estão caídos pelo caminho”. Exortou também a viver o sacerdócio com ardor missionário, à luz do carisma claretiano, levando sempre as pessoas a Cristo e nunca a si mesmo.

Ao final da celebração, o neossacerdote Pe. Platini, CMF dirigiu um longo e emocionado agradecimento, marcado por memória, fé e gratidão. Iniciou reconhecendo: “esse momento é fruto de uma caminhada que não foi feita sozinha, jamais”, destacando que sua história foi construída com muitas mãos, rostos e experiências.

Recordando sua infância, falou de uma vida simples, marcada pela fé vivida em família, onde “as coisas pequenas” já revelavam a presença de Deus. Partilhou também a origem de sua vocação, lembrando uma promessa feita ainda na juventude, amadurecida ao longo do tempo em meio a dúvidas, buscas e discernimento: uma caminhada comum, mas profundamente visitada pela graça.

Ao falar do processo vocacional, destacou: “vocação não é perfeição, é serviço, é entrega”, reconhecendo suas fragilidades e afirmando que o chamado de Deus não depende de perfeição, mas de disponibilidade. Sublinhou ainda que ninguém chega sozinho até esse momento: sua vocação foi sustentada pela família, pela paróquia, pelos amigos, formadores e comunidades por onde passou.

Em um dos trechos mais significativos, afirmou que pequenos gestos foram decisivos em sua história, recordando que um simples convite para participar de um grupo de jovens foi capaz de mudar o rumo de sua vida. Também destacou a importância da comunidade paroquial em sua formação, onde iniciou sua caminhada como coroinha e agente de pastoral.

Inspirado em seu lema — “Levanta-te, também eu sou apenas um homem” — afirmou com humildade: continua sendo um homem com limites e fragilidades, e que o ministério recebido não o coloca acima de ninguém, mas o confia ao serviço da Igreja. Concluiu reafirmando que toda honra pertence a Deus e que sua história é, na verdade, a história de muitos que caminharam com ele.

A celebração coroou uma intensa semana missionária vivida na paróquia, marcada por visitas às famílias, presença nas escolas, atendimento aos enfermos e diversas ações evangelizadoras, expressando o ardor missionário característico da espiritualidade claretiana.


PRIMEIRA MISSA

No dia 15, às 9h, na própria Paróquia Santa Rita, o neossacerdote Pe. Platini, CMF presidiu sua Primeira Missa, reunindo missionários claretianos, religiosas e o povo de Deus, encerrando assim a semana missionária preparada em vista de sua ordenação.

A celebração, vivida no quarto domingo da Quaresma (Laetare), foi marcada pela alegria e pela ação de graças. Na homilia, o Pe. Diemes Bento de Araújo, CMF, padrinho de ordenação, desenvolveu uma profunda reflexão a partir da Palavra de Deus.

Recordando a vocação de Davi, destacou que Deus não escolhe segundo critérios humanos: “o Senhor não vê como o homem vê, o Senhor olha o coração”. Ressaltou que, muitas vezes, Deus chama aqueles que estão no anonimato, no escondimento, mostrando que é na pequenez que Ele realiza grandes obras.

Refletindo sobre a vida cristã, afirmou: “somos luz no Senhor”, convidando todos a abandonarem as obras das trevas e viverem como filhos da luz, produzindo frutos de bondade, justiça e verdade. Ao comentar o Evangelho do cego de nascença, recordou que não somos nós que primeiro buscamos a Deus, mas é Ele quem nos encontra: Deus se aproxima, toca a fragilidade humana e faz nascer uma vida nova.

Dirigindo-se diretamente ao neossacerdote, destacou com força: “o nosso sacerdócio não é para nós, é sempre para o outro”, insistindo que o padre é chamado a uma entrega total. Recordou ainda a realidade humana do ministério: “trazemos esse tesouro em vasos de barro”, mostrando que a graça de Deus se manifesta justamente na fragilidade. Acrescentou que o sacerdote só pode consolar porque também foi consolado, só pode exercer misericórdia porque experimentou a misericórdia de Deus.

Como exortação final, incentivou o novo presbítero a viver com alegria, fidelidade e espírito de doação, sendo presença de Deus na vida das pessoas, homem de oração e testemunha viva do Evangelho.

A Primeira Missa de Pe. Platini, CMF encerrou de forma significativa a semana missionária, consolidando um caminho de evangelização vivido intensamente pela comunidade e marcando o início de seu ministério presbiteral a serviço da Igreja.

Compartilhar: