Mensagem de Páscoa do Superior Provincial

“Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus.”
(Cl 3,1)

Caríssimos missionários claretianos, leigos e leigas que partilham conosco a mesma missão, membros de nossas frentes apostólicas e obras evangelizadoras!

Na luz santa e gloriosa da Páscoa do Senhor, dirijo-me a toda a Província Claretiana do Brasil para proclamar, mais uma vez, com fé renovada e profunda esperança: Cristo ressuscitou verdadeiramente! A Palavra de Deus nos interpela com vigor singular: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto”. Buscar as coisas do alto não significa afastar-se das responsabilidades da terra, nem refugiar-se em espiritualismos desencarnados. Significa, antes, deixar-se plasmar pela lógica pascal e permitir que o mistério de Cristo morto e ressuscitado transforme nossa maneira de pensar, discernir, sentir, escolher e servir.

A Páscoa coloca diante de nós uma grande questão: a lógica da Ressurreição – isto é, o mistério de uma vida que morre e ressuscita – está, de fato, configurando nossa vida? Ela ainda é capaz de remodelar nossos critérios, nossos desejos, nossas prioridades e nossos vínculos? Que sonhos ainda perseguimos? Que desejos alimentam nossos dias? Ou terá o hábito da fé, porventura, enfraquecido em nós a capacidade de permanecer dentro do dinamismo vivo da Ressurreição?

São Paulo também nos lembra que vivemos um limiar misterioso que coloca nossa vida em comunhão com o mistério de Deus: “pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus” (Cl 3,3). Viver “escondidos com Cristo em Deus” não é subtrair-se ao peso da realidade, mas habitar o coração da história com liberdade pascal. É servir sem buscar garantias humanas; é perseverar sem depender do reconhecimento; é trabalhar pelo Reino sem sucumbir à ansiedade dos resultados imediatos. É crer, com serenidade e firmeza, que a fecundidade do Evangelho muitas vezes amadurece no escondimento, no silêncio, na entrega humilde e perseverante.

Pode ser que trouxemos conosco nesta Páscoa preocupações, cansaços, discernimentos complexos, fragilidades humanas, exigências apostólicas processos de conversão e travessias necessárias. Não ignoramos as sombras do tempo presente, nem as tensões que acompanham o nosso mundo. Contudo, a Páscoa nos impede de absolutizar o sepulcro e o fracasso. Ela nos ensina que nenhuma noite é eterna quando Deus intervém; que nenhuma esterilidade, nem mesmo da morte, tem a última palavra quando o Espírito do Ressuscitado continua agindo; que não existe realidade humana, eclesial ou missionária que esteja fora do alcance do amor fiel do Pai.

Por isso, nesta celebração pascal, somos chamados, mais uma vez, a renovar nossa confiança. O Ressuscitado nos precede. Ele vai à nossa frente. Ele nos espera na Galileia, isto é, no lugar do primeiro amor, da vocação originária, da escuta renovada, da disponibilidade missionária, da fidelidade concreta ao Evangelho. Voltar à Galileia significa regressar ao essencial; reencontrar a fonte; permitir que Cristo volte a ocupar o centro de nossa vida pessoal, comunitária e apostólica.

Como Missionários Claretianos, não podemos celebrar a Páscoa sem ouvir de novo o mandato do Senhor: “Não tenhais medo; ide”. A Ressurreição é envio. A alegria pascal é missionária por natureza. Uma comunidade verdadeiramente pascal não se fecha sobre si mesma, não cultiva nostalgias estéreis, não se deixa aprisionar pela autorreferencialidade. Ao contrário, abre-se, desloca-se, deixa-se enviar, torna-se presença de esperança, fraternidade e consolo no meio do povo.

Peço ao Senhor, nesta Páscoa, que renove o nosso coração para que sejamos missionários pascais: interiormente livres, fraternalmente disponíveis, missionariamente audazes, espiritualmente enraizados. Que nenhuma de nossas comunidades perca o ardor do anúncio. Que nenhuma vocação se deixe vencer pelo desânimo. Que nenhuma de nossas obras apostólicas renuncie a ser sinal do Reino. Que todos encontrem na vitória de Cristo sobre a morte a razão mais profunda de sua esperança e a perseverança necessária para continuar servindo.

Confiemos nossa caminhada ao Imaculado Coração de Maria, Mãe da Esperança, mulher fiel junto à cruz e silenciosamente aberta à promessa de Deus. Que ela nos ensine a guardar a Palavra, a atravessar a noite com fé e a acolher, com inteira disponibilidade, a novidade do Senhor. E que Santo Antônio Maria Claret interceda por nós, para que sejamos, em todo tempo, testemunhas inflamadas do Evangelho, servidores da Palavra e adoradores do Pai em espírito e verdade.

Desejo a todos, com estima fraterna e profunda comunhão, uma Santa, Feliz e verdadeiramente transformadora Páscoa do Senhor.

Cristo ressuscitou! Ele vive! E porque vive, nossa esperança não decepciona.

Fraternalmente em Cristo Ressuscitado e no Coração de Maria,

Pe. Eguione Nogueira Ricardo, CMF
Superior Provincial
Província Claretiana do Brasil

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