Mensagem para a Solenidade do Coração de Maria
9 de junho de 2018
Queridos irmãos:
Somos filhos do coração – do Imaculado Coração de Maria. Como missionários claretianos, nascemos de seu coração, e fomos formados e acompanhados pelo mesmo coração. Como observou o Papa São João Paulo II em Redemptor Hominis, “o mistério da Redenção tomou forma sob o coração da Virgem de Nazaré, quando pronunciou seu ‘fiat’. Desde então, sob a influência especial do Espírito Santo, este coração, o coração de uma virgem e uma mãe, sempre seguiu o trabalho de seu Filho e foi a todos aqueles aos quais Cristo abraçou e continua abraçando com amor inesgotável” (22).
Ao celebrar a Solenidade do Imaculado Coração da Santíssima Virgem Maria honramos seu coração materno, recordando-nos nossa identidade como filhos seus, renovando nosso compromisso de viver a imagem de tais filhos, tal como no-la deu o Pai Claret em sua famosa definição de missionário (ver Aut. 494). Que bênção para nós sermos chamados filhos de seu coração! Porque seu coração é verdadeiramente um templo de Deus, palpitando em cada momento com amor a Deus e à humanidade. Como escreveu São Jerônimo, “inclusive enquanto vivia no mundo, o coração de Maria estava tão pleno de ternura e compaixão maternal pelas pessoas que ninguém sofreu tanto pelos seus próprios sofrimentos, como Maria sofreu pelas dores de seus filhos”. Nossas lutas são suas lutas, nossos sonhos são seus sonhos, nossas alegrias são suas alegrias. Papa Francisco nos recorda que Maria é “a serva do Pai que canta seus louvores”. Ela é a amiga que está preocupada que o vinho não falte em nossas vidas. Ela é a mulher cujo coração foi transpassado por uma espada e compreende toda nossa dor. Como mãe de todos, é um sinal de esperança para as pessoas que sofrem as dores de parto de justiça. Ela é a missionária que se aproxima de nós e nos acompanha durante toda a vida, abrindo nossos corações para a fé pelo seu amor materno. Como verdadeira mãe, caminha ao nosso lado, compartilha nossas lutas e nos envolve constantemente com o amor de Deus” (Evangelii Gaudium, 286).
Este coração de Maria é terno, pleno de compaixão; porém, como é evidente em seu Magnificat (cfr. Lucas 1,46-55), também busca a justiça, a justiça de Deus: Ela sonha, deseja e trabalha por um mundo transformado onde se cuida dos pobres; os oprimidos são livres; o orgulho, o poder e a fome são eliminados; e a misericórdia de Deus vence. “Esta interação de justiça e ternura, de contemplação e preocupação pelos demais, é o que faz que a comunidade eclesial considere Maria como modelo de evangelização” (Evangelii Gaudium, 288): com efeito, um modelo para nossa evangelização claretiana. Buscamos refúgio neste coração; e rezamos para que nossos corações se transformem realmente como o seu, tão plenos de amor por Cristo e pela humanidade sofredora. Rezamos como a Madre Teresa rezava: “Maria, dai-me Vós Coração: tão formoso, tão puro, tão imaculado; vosso Coração tão pleno de amor e humildade, que eu possa receber a Jesus no Pão da Vida e amá-lo como Vós o amas e servi-lo na forma angustiante dos pobres”.
É lógico que a Solenidade do Imaculado Coração siga imediatamente à Solenidade do Sagrado Coração: o coração da Mãe segue de perto o do Filho. Simeão, o Novo Teólogo, do século X, escreveu que devemos colocar nossa mente no coração e permanecer dentro dele, e do fundo do coração, devemos elevar nossas orações a Deus. Podemos interpretar suas palavras como um convite a unir nossos corações com o coração de Maria, contemplando o coração de seu Filho. Desejo-lhes todas as alegrias e bênçãos do Coração da Mãe, nosso fogo e lar.
Mathew Vattamattam, cmf
Superior Geral

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