MENSAGEM À PROVÍNCIA CLARETIANA DO BRASIL POR OCASIÃO DA SOLENIDADE DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA – 2026
São Paulo, 13 de junho de 2026.
Saudações cordimarianas!
Neste Ano Cordimariano que estamos vivendo como Província, celebramos com profunda alegria a Solenidade do Imaculado Coração de Maria, fonte inspiradora de nossa identidade missionária e coração pulsante de nossa espiritualidade claretiana.
Nosso Fundador reconhecia que Deus concedeu a Maria um coração materno, capaz de expressar atributos divinos como a misericórdia e a compaixão (cf. Ex 34,6). Em um de seus escritos, afirmava que “Maria é a Mãe da divina graça e, por isso, Deus concedeu-lhe um coração maternal, terno, compassivo e misericordioso”. A filiação cordimariana nasce, segundo Claret, do alto da cruz, quando “o próprio Deus, feito homem, redigiu com o dedo ensanguentado estas palavras em seu coração, pleno de caridade: Este é o teu filho”. É na intimidade desse coração que nasce nossa vocação na Igreja. Por isso, ele quis que fôssemos e nos chamássemos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria.
O Coração de Maria não é apenas uma devoção; é uma escola de fé e de humanidade. Nele aprendemos a acolher a Palavra, a guardar os acontecimentos da vida à luz de Deus e a permanecer disponíveis para a missão. Por isso, cultivar a espiritualidade cordimariana não é apenas contemplar um símbolo, mas permitir que o nosso coração seja configurado e transformado pela ternura divina, tornando-se capaz de amar e servir como Maria.
Num tempo marcado por polarizações, individualismo e indiferença, e por tantas formas de sofrimento humano, somos chamados a aprender novamente com Maria a arte da proximidade e da ternura. O mundo necessita de missionários que saibam escutar, acolher e caminhar ao lado das pessoas, sendo “tecelões de esperança, partilhando o que somos e o que temos” (Papa Leão XIV). O Coração de Maria continua sendo uma escola privilegiada para formar discípulos missionários capazes de irradiar a esperança cristã no mundo.
Cultivar a espiritualidade cordimariana é, nesse sentido, permitir que o coração seja espaço de interioridade, mas nunca de fechamento; um coração contemplativo que se transforma continuamente em disponibilidade missionária, não em autorreferencialidade. Por isso, o Ano Cordimariano nos convida a redescobrir que o coração não é refúgio para quem deseja fugir do mundo, mas lugar de onde nasce a verdadeira missão. O Coração de Maria revela o “porquê” da missão: o amor de Deus derramado sobre a humanidade e acolhido sem reservas por uma mulher que se tornou colaboradora do Espírito Santo na obra da salvação.
Neste Ano Cordimariano, peçamos a graça de cultivar um coração semelhante ao de Maria: um coração aberto à Palavra, atento aos sinais dos tempos, sensível às dores da humanidade, disponível para a missão e cheio de esperança. Na celebração da Solenidade do Imaculado Coração de Maria, todos somos chamados, unidos em comunhão eclesial, a renovar a consagração da nação brasileira ao Coração da Mãe, como fizemos há 80 anos. Convido, particularmente, missionários os claretianos a revisitarem nossa consagração religiosa, que, na linguagem de nossa Congregação, é uma verdadeira “entrega ao Imaculado Coração de Maria”, orientada à realização do objetivo para o qual nossa Congregação foi constituída na Igreja, de modo que Deus seja conhecido, amado, servido e louvado. Aos leigos e leigas que bebem dessa fonte carismática cordimariana, aos que compartilham a nossa missão comum, confio ao Coração de Maria suas vidas, para que continuem a expressar o modo claretiano de viver, amar e servir.
Feliz festa do Imaculado Coração de Maria!
Pe. Eguione Nogueira Ricardo, CMF
Superior Provincial

por